14 de julho de 2026

Política: que nova direita é essa

Poder a nova política é a nova direita. Cuidado com essa esquina da História HISTÓRIA

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Da Folha

Nova direita surgiu após junho, diz filósofo

Eleonora de Lucena
Enviada especial a Campos do Jordão (SP)

O “surto de impaciência” revelado pelas manifestações de junho de 2013 “provocou um surto simétrico e antagônico que é o surgimento de uma nova direita, um dos fenômenos mais importantes do Brasil contemporâneo. Uma direita não convencional, que não está contemplada pelos esquemas tradicionais da política”.

Quem faz a análise é o filósofo Paulo Eduardo Arantes, professor aposentado da USP (Universidade de São Paulo). Ele compara o que acontece aqui com a dinâmica nos Estados Unidos:

“A direita norte-americana não está mais interessada em constituir maiorias de governo. Está interessada em impedir que aconteçam governos. Não quer constituir políticas no Legislativo e ignora o voto do eleitor médio. Ela não precisa de voto porque está sendo financiada diretamente pelas grandes corporações”, afirma.

Por isso, seus integrantes podem “se dar ao luxo de ter posições nítidas e inegociáveis. E partem para cima, tornando impossível qualquer mudança de status quo. Há uma direita no Brasil que está indo nessa direção”, diz o filósofo.

Segundo ele, “a esquerda não pode fazer isso porque tem que governar, constituir maiorias, transigir, negociar, transformar tudo em um mingau”. Nesse confronto, surge o que sociólogos nos EUA classificam como uma “polarização assimétrica”, com um lado sem freios e outro tentando contemporizar.

Na avaliação de Arantes, o conceito de polarização assimétrica se aplica ao Brasil. “A lenga-lenga do Brasil polarizado é apenas uma lenga-lenga, um teatro. Nos Estados Unidos, democratas e liberais se caracterizam pela moderação –como a esquerda oficial no Brasil, que é moderada. O outro lado não é moderado. Por isso a polarização é assimétrica”.

“Fora o período da eleição –que é um teatro em se engalfinham para ganhar– um lado só quer paz, amor, beijos, diálogo, tudo. Uma vez que se ganha, as cortinas se fecham e todo mundo troca beijos, ministérios –e governa-se. Mas há um lado que não está mais interessado em governar”, afirma.

JUNHO DE 2013

Arantes fez essa análise no final da tarde de quarta-feira (29), em palestra sobre as manifestações de junho de 2013 no 16º Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação de Filosofia, que acontece nesta semana em Campos do Jordão (SP).

O filósofo contestou a visão de protagonistas dos protestos, para quem o movimento não foi um raio em céu azul, já que foi precedido por várias rebeliões por melhoria no transporte público pelo país afora nos últimos anos.

Na opinião de Arantes, todos foram apanhados de surpresa: “Ninguém esperava que isso acontecesse, nem os próprios protagonistas, nessas proporções. Foi absolutamente inesperado. Não temos mais ouvido para decifrar qualquer sinal de alarme”.

Ele criticou o que considerou uma tentativa de sufocar a originalidade do movimento de junho. Discutiu também a visão de que os protestos tiveram fôlego curto.

Citando o compositor Geraldo Vandré, o pensador Ernst Bloch (1885-1977), texto literário, documentário, o filósofo fez um desenho do país: “Desaprendemos a esperar. Isso é que mudou. Mudou a relação entre tempo e política”, disse.

Para ele, essa mudança se reflete em esgotamento de paciência: não dá mais para esperar: “E houve uma reviravolta também do outro lado”. Daí a nova direita.
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/10/1541085-nova-direita-surgiu-apos-junho-diz-filosofo.shtml

 

 

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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11 Comentários
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  1. anarquista sério

    1 de novembro de 2014 7:51 pm

    Até quando tenho que ler

    Até quando tenho que ler ”esquerda e direita ” no Brasil?

    Ou ricos x pobres.

    Nesta campanha eu tive uma feliz constatação:

            O Brasil tem mais de 50 milhões de ricos, e eu não sabia.

                Ué, não foram só os ricos que votaram em Aecio?

     

    1. destruidor

      2 de novembro de 2014 1:12 am

      Simples

      Não é isso, existe um grande números de pessoas teleguiadas pelo PIG. Acreditam na Veja e no Jornal Nacional. A Dilma iria ganhar por volta de 10%, sobre Aécio. O assunto era falta de água no estado mais rico da federação. Só que na sexta de manhã sai a capa da Veja sem a prova contra a Dilma. Sem falar que em SP o pig é fortíssimo. Eles ainda manipulam, a uma grande parte do povo, principalmente os paulistas. 

    2. Andre B

      3 de novembro de 2014 12:41 am

      Veja o mapa eleitoral por

      Veja o mapa eleitoral por cidades e se possivel procure as regiões nas cidades. Depois procure no dicionário o significado da palavra ‘média’. Então faça um cursinho básico de estatística e de seu uso nas ciências sociais. Aí a gente conversa a sério.

  2. Motta Araujo

    1 de novembro de 2014 9:35 pm

    A direita não e nunca foi

    A direita não e nunca foi constituida de RICOS. A direita é um conjunto de valores cujo centro é lei e ordem, há pessoas de classe média baixa que detestam o conjunto de atitudes da esquerda, por exemplo, invasão de propriedade alheia sob o lema de que “”moradia é um diretio”. Invasores de conjuntos habitacionais prontos e que foram adquiridos com grandes sacrificios por outros pobres não toleram invasores apadrinhados da esquerda. Se a moradia é um direito porque alguem faria sacrificio de economizar para comprar e pagar?

    Moradores do CRUSP que estão na USP de graça há dez anos tambem fazem parte da clientela da esquerda, ambos grupos, invasores e estudantes profissionais, são detestados pela DIREITA POBRE cujos valores são o trabalho suado, a poupança e o futuro dos filhos para os quais fazem grandes sacrificios. A direita NÃO RICA acha essa “esquerdolandia”” um grupo de aproveitadores do esforço alheio, malandros que não querem trabalhar.

    Taxistas são 99,8% de direita em São Paulo porque foi com grande sacrificio que conseguiram comprar seus carros e alvarás, geralmente com a rescisões e fundo de garantia.

    Tambem há RICOS DE ESQUERDA, quer dizer, se dizem de esquerda mas tem habitos de RICOS. O jornal ESTADO DE S.PAULO publicou na semana passada a lista de Ministros que SÓ VIAJAM DE PRIMEIRA CLASSE com dinheiro publico, o primeiro da lista é Fernando Pimentel, do circulo intimo do Palacio do Planalto, tambem Mantega e Trombini. Por contraste outros Ministros, que tem o mesmo direito de viajar de Primeira preferem não abusar e viajam de Executiva, esse grupo,

    cujo primeiro da lista é o Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo tem mais Ministros que o grupo da Primeira Classe, o que mostra consciencia e espirito publico.

    Enquanto isso o Principe herdeiro da coroa britanica, Principe William, veio ao Brasil este ano de classe turistica.

    Os ingleses há seculos conhecem o valor dos simbolos para manter o poder.

    A esquerda no Brasil é constituida de um nucleo esperto que USA OS VALORES DA ESQUERDA mas vivem como ricos, a “”turma da PRIMEIRA CLASSE” e uma multidão de néscios, bobos que aplaudem sem perceberem que essa esquerda não vai leva-los a lugar algum, só à ruina e miséria, como Chavez e Maduro na Venezuela e a Madame Kirchner, multimlionaria que conseguiu fazer faltar carne na Argentina, essa é a ESQUERDA ESPERTA.

    Por outro lado DIREITA não é igual a CONSEVADORISMO, a primeira é pro-ativa ,  o segundo quer apenas que as coisas fiquem como estão. Por exemplo, nos EUA os Republicanos tradicionais são conservadores, os Neo Con ou Tea Party são DIREITA combatente.

     

    1. Daytona

      2 de novembro de 2014 11:37 am

      Chega a ser ridículo comparar

      Chega a ser ridículo comparar as propriedades ocupadas por pessoas de movimentos como o MST com os latifúndios grilados dessa direita “honesta e trabalhadora”, cujo grande represnetante este ano foi o senador Aécio Neves, um sujeito que nunca travalhou um único dia em sua vida.

      A porcentagem de taxistas direitistas(qual a fonte desse dado)se estiver correta, deve-se ao fato de estes profissionais ficarem o dia todo ao som do rádio, ouvindo as mentiras de CBN, Jovem Pan, Bandeirantes e outros veículos conservadores desse oligopólio midiático, contruído graças às benesses e favores seletivos do Estado, principalmente durante a ditadura.

      O direitista de classe média é um ignorante manipulado, simples assim. Qual o ganho para um sujeito de classe média, em sua maioria assalariados ou pequenos comerciantes, com a política econômica neoliberal defendida pelo PSDB?Nenhuma, na verdade, eles são os maiores prejudicados. Os números indicam que os governos CastelloBranco(pelo qual a classe média burra marchou)e FHC foram caracterizados pelo auemnto do desemprego e pela quebradeira generalziada de pequenas e médias empresas, afetando mais fortemente a classe média. 

      A mobilização de cunho fascista que ocorre em SP é uma cópia mal feita da mobilização fascista de Itália e Alemanha, principalmente desta. A coesão por meio da construção de uma identidade “superior”, baseada na concepção preconceituosa e infeirorizante do outro(judeu ou nordestino)é a mesma. O ódio pelos valores defendidos pela esquerda, sejam bolcheviques, sejam petistas, é o mesmo. A devoção pelo autoritarismo é o mesmo. Até mesmo o marco inicial é o mesmo, basta ver as semelhanças entre os fracassados Putsch de Munique e o Putsch de 32. 

      O Putsch de 32 fornece o arcabouço ideológico desse fascismo tupiniquim originário de SP, uma mistura do tosco bacharelismo com origens ainda na colônia com as ideologias autoritárias oriundas da Alemanha nazista. Nesse sentido, o tucano Gilmar Mendes, e sua adesão ao pensamento de Carl Schmitt, é uma espécie de intelectual desse movimento.

      Como bons bacharéis, gritaram por uma Constituição, um conjunto de normas e leis abertas à interpretação, que, na prática, permitia a diferenciação entre as pessoas. Por isso, desde a redemocratização, o Judiciário assumiu o posto de bastião do autoritarismo, e vem tentando se imiscuir nos outros poderes, com o apoio da mídia e dessa classe média lobotomizada, sempre que possível.

      A estrutura política do Estado de SP é também um modelo a ser observado, pois também demonstra ser uma combinação do tradicional patrimonialismo brasileiro com concepções autoritárias do fascismo. Não há Democracia em SP, não no sentido de ausência de eleições, mas na recusa do paulista. Os paulistas elegem e reelegem o PSDB no Estado da mesma maneira que os alemães, quando lhes foi dado o direito ao voto, elegeram e reelegeram o grupo de Kohl por quase duas décadas. Albert Speer dizia que havia no subconsciente alemão uma tendência à obediência, que ele atribuia às origens prussianas e seu estado militaristas, o qye tornavam o povo alemão suscetivel de discursos autoritários e líderes carismáticos. Basta ver como a grande maioria dos arremedos tupiniquins de Hitler, de Plínio Salgado a Jânio Quadros, vieram de SP. Talvez as origens bandeirantes explicam o comportamento bovino dos paulistas;

      No modelo de governo, o modelo psdbista de governo se baseia no velho patrimonialismo, no sistema clientelista de favores, que em SP foi habilmente montado por Geraldo Alckmin. Na imagem de Alckmin podemos perceber uma espécie de Jânio Quadros discreto, sem gestos mirabolantes, e sem carisma, o que denota apenas a falta de imaginação dos paulistas. Se um dia marcharam atrás de um líder varonil, hoje, pacificada as bandeiras, seguem bovinamente um governador com cara de gerente de fábrica.

      Por outro lado, não existe qualquer incoerência em um sujeito rico defender valores da esquerda. Construir uma sociedade onde ninguém morra de fome, onde todos tenham oportunidades, é um valor de esquerda, por que uma pessoa rica não poderia defendê-lo?Na verdade, nada mais esquerdista do que os valores expressos na Constituição norte-americana, escritos por “We, the people”, originados nas ideias do Iluminismo conforme sua interpretação feita pela sociedade homogênea, de classe média, do norte dos EUA. 

      Os maiores representantes da malandragem no Brasil são os políticos da direita, que praticam abertamente o clientelismo. Seu ódio do bolsa família se deve ao fato de este ter destruído muito do coronelismo vigente no nordeste, basta ver como o avanço do BF coincidiu com a queda de coronéis como Antonio Carlos Magalhães e afins. Entre os representantes da classe média que admira os valores do trabalho estão pessoas como Aécio Neves, principal representante dessa República dos Filhinhos de Papai Vagabundos, herdeiros do modelo de Capitanias Hereditárias e seus valores medievais. Em contraste, o maior “inimigo” dessas classes médias é o ex-presidente Lula, o maior exemplo de “self-made man”(era assim que os membros do governo Bush o definiam) da política brasileira, e, reconhecidamente, um dos presidentes mais competentes e honestos que o Brasil já teve.

      A melhor definição da elite brasileira nos deixou o gênio de Machado de Assis em seu clássico “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Brás Cubas, que se gaba de nunca ter ganho o pão com o suor de seu rosto(assim como Aécio se gabou, para o horror dos maericanos, de nunca ter feito sua cama)é o retrato da elite vagabunda e sem noção de nosso país.

  3. Jose mestre Carpina

    1 de novembro de 2014 9:36 pm

    e continuam fazendo marolas….

     

    Sabem de nada, inocentes……Democracia é 50% + 1 voto  e  basta !!!

     

  4. Motta Araujo

    1 de novembro de 2014 10:23 pm

    http://content.time.com/time/

    http://content.time.com/time/photogallery/0,29307,2106124_2334245,00.html

     A VELHA DIREITA – CHURCHILL PRIMEIRO MINISTRO PELA SEGUNDA VEZ DEPOIS DOS TRABALHISTAS

  5. mlsantanna

    1 de novembro de 2014 10:53 pm

    Deus e o Diabo na terra do sol

    Conversando com um rapaz na academia eu vi que vai muito além de esquerda e direita.

    Após apresentar  progressos nas áreas de educação superior e pesquisa, as quais conheço, este jovem de classe C expos o lado sombrio falando sobre os “malditos preguiçosos paraibas que recebem bolsa família e não trabalham” .

    Eu disse que isto era racismo e o racismo tem degraus, onde você será a próxima vítima. O mais assustador foi que ele negou o racismo, pelo simples motivo que “os nordestinos são preguiçosos mesmo”.

    Neste impasse, eu terminei a conversa e sai de fininho.

    Isto não é direita nem esquerda, isto o mau e o bem se confrontando.

  6. altamiro

    1 de novembro de 2014 11:20 pm

    qualquer análise sobre esse

    qualquer análise sobre esse período que não coloque a hegemonia midiática no brasil como ponto fundamental torna-se manca, no mínimo…

     

    1. Jair Fonseca

      2 de novembro de 2014 2:11 am

      Nos EUA, a direita “não

      Nos EUA, a direita “não precisa de voto porque está sendo financiada diretamente pelas grandes corporações”. Arantes diz que isso já acontece no Brasil. Pois bem (pois mal!), a grande mídia é corporativa…

  7. Michel Talá

    2 de novembro de 2014 2:05 pm

    Tim Maia tinha razão…

    Já que o filme sobre o saudoso Tim Maia está em cartaz…fale a pena lembrar uma simbólica frase dele:

    “O Brasil é o único Pais em que além de puta gozar, cafetão sentir ciúmes e traficante ser viciado, o pobre é de direita – Tim Maia”

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