5 de junho de 2026

Marina agrega à campanha de Eduardo Campos

Por Gunter Zibell – SP

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Comentário ao post “O panorama de 2014 visto do Planalto”

Algo que acho ser sempre desconsiderado são as preocupações das pessoas com valores.

Se não há projeto sócio-econômico alternativo (Maringoni falou sobre a ‘grande convergência’), e se não há insatisfação com o projeto atual (como a popularidade do governo indica), aspectos como direitos humanos, ética, meio-ambiente, políticas de segurança ganham o espaço nos discursos e na mídia.

E isso não está refletido no artigo, fica parecendo (o que pode ser verdade, mas só até o momento) que as campanhas só olham para estatísticas de produção. Mas isso pode mudar, se em 2010 houve quem tentou usar o discurso anti-aborto, há que se pesquisar o que pode acontecer em 2014.

“Dispor de um discurso eficiente para os eleitores e conservador nos costumes.” Justamente pelo dito acima talvez isso não seja mais vantagem. Com a presença de Feliciano na CDHM, as muitas matérias sobre questões indígenas, a movimentação no exterior em torno de maconha, pode ser que muita gente já esteja saturada de conservadorismo. Há que se pesquisar, mas o único tema conservador realmente popular é a redução da maioridade penal.

Marina fez um discurso recente em que disse que 70% dos entusiastas de “Rede” apoiavam a despenalização de aborto e maconha. Depois disse que não se opunha mais a casamento igualitário, desde que não religioso. É uma questão de juntar pontos para perceber que ela não está disposta a ser arauto do conservadorismo moral.

“Com ela de vice, a chapa com Eduardo Campos perde consistência.” Há controvérsias. Essa é uma hipótese, como quando H. Costa e P. Ananias diminuíram votos da coligação em função das rejeições cruzadas, e Anastasia ganhou no 1º turno mais facilmente do que se esperaria. E a experiência da eleição municipal em SP, em 2012, mostrou como é acertado ter vários candidatos para levar eleições a 2º turno.

Mas já há o suficiente de candidatos –três, pelo menos. Pode ainda surgir Barbosa. Então já há boas chances de a eleição presidencial ser em dois turnos.

E, do mesmo modo que muitos candidatos depois se agrupam em torno de um dos dois que foram ao 2º turno, esse é o papel de Marina desde o início: transferir votos. Já houve uma pesquisa Datafolha de outubro que demonstrou que quando os nomes de Marina e Campos aparecem juntos no disco de pesquisa, a pontuação da dupla é bem maior do que a de cada um isoladamente. Marina agrega à Campos, não tira.

Há a ideia de que ela seria cabeça de chapa. Não acredito nisso. Ela já é conhecida e já está no topo, Campos ainda pode crescer. Pode crescer tanto por ser mais conhecido como justamente pelo apoio de Marina. Também não acredito nas hipóteses de personalismo (Campos forçar a barra, Marina idem etc). Uma vez na vida podemos acreditar que políticos queiram fazer o que mais racionalmente for factível de ser trabalhado em marketing político para uma vitória de chapa. E isso parece significar Campos como cabeça de chapa e que ambos privilegiem o não-confronto interno e que as diferenças sejam usadas para somar apoios. Um trabalho interno de conciliação do mesmo modo que falam em agregar no futuro PT e PSDB. É um discurso que agrada a quem julga a polarização atual artificial.

Campos/Marina agradam ao público central, aquilo que nos EUA é chamado de independente (entre republicanos e democratas)

De onde partem as críticas a Campos/Marina? Apenas dos petistas. Políticos ou militantes de outros partidos da coligação governista não antagonizam quem tem uma pequena chance de vencer. Do lado do PSDB também não. Então as críticas são muito viesadas e não comovem quem é de fora do PT. Qual o sentido de dizer que Campos é mais à direita de Dilma? Nenhum, se 70% ou 80% da população também o for. Qual o sentido de fazer demonizações (Marina é evangélica, Campos é ligado a empresários), se todos os retrocessos no secularismo e todas as concessões econômicas já foram vistas?

A esta altura já está claro que, apesar de ainda não ser refletido em pesquisas, o nome de Aécio não é favorito, não é tido como chances de vencer. A questão é se tem chances de ser o 2º colocado. Acho que não. É só acompanhar por noticiário, comentários em blogs ou redes sociais: o nome Campos é muito mais citado, tanto por oposições como por situação.

Assim, se houver mudança, é para Campos. Que, ao contrário do radicalismo de Serra (imitado por Aécio no discurso econômico, o que, como dito no início, soa exagero) se posiciona como meio termo. Quase um Plano B de ambos os lados. Entre Dilma e Campos, a maioria dos tucanos preferiria Campos. Entre Aécio e Campos, a maioria dos petistas preferiria Campos. E aos independentes Campos não desagrada.

Cabe acompanhar mais do que outras vezes a questão da rejeição, que não é muito importante em eleições polarizadas, mas agora há três polos (ainda que dois parecidos entre si.)

Se FHC recebeu 53% dos válidos em 1994 e 1998, Serra 40% em 2002, Alckmin novamente 40% em 2006 e Serra 44% em 2010, já não dá para considerar que há um piso de 40% que preferirá aquele que não for PT? Não são votos de tucanos propriamente ditos, posto que esse partido mal passa de 10% dos deputados.

Aécio não seria novidade nenhuma nesse quadro, ficaria perto dos 45%. Mas Campos/Marina pode ser novidade. Além de poderem herdar essa base mínima podem incorporar descontentes com o que alguns consideram excessos do PT recente. A mídia poderá perceber isso e acho provável esperar que daqui até outubro não existam críticas contundentes nem a Campos nem a Marina em lugar nenhum da grande mídia. Também não haverá críticas a Aécio, pois ainda é necessário para levar a eleição a 2º turno e deve ir valorizado como apoio no 2º.

Conservadores econômicos de verdade estão preocupados com questões patrimoniais, não morais. Este grupo não votará no PT mesmo e não se importa que Campos venha a fazer um discurso ‘descolado’ (esse termo ainda aparecerá mais vezes este ano…) Secularistas, ainda que seja uma pequena minoria que coloca isso em primeiro plano, tendem a deixar economia de lado se não verem risco por esse lado. Em tudo o mais constante e parecido com 2010, uma chapa Campos/Marina pode agregar se não parecer ameaçadora a nada, portanto, por isso acho provável que o discurso seja mesmo o do ‘coxinha descolado’:

– não adianta brigar com as questões comportamentais que são ‘postas’ (quem usa mesmo esse termo com frequência?);

– contratos, princípios econômicos serão respeitados, blá blá (como Lula em 2002);

– precisamos melhorar (em tudo o que apareceu nos protestos de 2013);

– precisamos de ideias (o que surgir provavelmente será em segurança pública e estímulo a investimentos, pois em programas sociais, saúde e educação o PT já parece estar com as melhores ideias. E o PSDB não parece ter as melhores ideias em quase nada, sinceramente.);

– respeitamos as heranças: programas sociais? Sempre gostamos deles, afinal estivemos no governo até 2013/2009 respectivamente… (e, afinal de contas, se ‘nós’ não formos apoiados, ficará tudo igual mesmo.) De FHC? Claro, mas lembremos apenas do que foi bom, o que foi ruim repudiamos;

– não há mensalão ou trensalão em torno da nossa chapa, até hoje fomos sempre coadjuvantes.

Enfim, acho que Aécio não deslancha, mas terá seu papel. E acho que Campos/Marina tem chances de serem a oposição viável. Não assustam nem espantam grupos expressivos, tentarão manter essa imagem e evitar muito mais eventual rejeição que exatamente propor coisas novas.

Um discurso geral de conciliação e de aproveitamento do que já houver de bom por aí pode colar, afinal a população não está ‘desesperada’ ou ‘em crise’, apenas com focos difusos de sentimentos de mudança. Se colar, colou.

E, cabe sempre lembrar, o novo Congresso será muito parecido ao atual.

E que não se supervalorize o tempo de TV: será recorde para Dilma, sim, mas não tanto assim, não tão mais que o de 2010 que já era significativo. E FHC em 1994 e Lula em 2002 também tiveram relativamente pouco tempo de TV (as bases prévias de deputados de ambos os partidos eram bem menores que as do PMDB em ambas as ocasiões.)

“Como política, Marina é figura complexa, de difícil relacionamento e pouquíssimo jogo de cintura, que acabará por inviabilizar qualquer aliança mais expressiva de Eduardo Campos em São Paulo.” Se houver mesmo vontade de vencer e participar de um ‘programa programático’, fará concessões. A chave é portar-se como alguém que apoia outro alguém em disputa de 2º turno, sem a beligerância típica de 1º turno.

O que não cabe é Aécio ou Dilma ficarem torcendo por erros de Marina e Campos. Tais erros podem não acontecer.

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34 Comentários
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  1. Anarquista Lúcida

    13 de janeiro de 2014 8:50 pm

    Marina representante de valores? Me engana que eu gosto…

    Aliás o fato dela estar desdizendo de posições dela sõ mostra isso… Agora, ela entende de valores. Os do banco ITAÚ, por exemplo… Criacionista atrasada, apoiadora do Feliciano, realmente chapéu para ela. 

  2. Otaviani

    13 de janeiro de 2014 9:12 pm

    campos/marina minusculos.

    Ela é personalista,desagregadora,parte de sua motivação politica é o ódio visceral ao PT(em especial a Lula).Não se computou ainda o resultado dos mais médicos,ou a desconstrução da imagem de Campos como  o grande feitor de obras em seu estado.Ainda tem o fator Copa,se for um sucesso…………. Aé o final do ano muita agua vai rolar debaixo desta ponte,mas politicamente,economicamente,e popularmente o governo esta muito bem armado (apesar de as vezes não saber usar devidamente).Alem do que o que querem as oposições é levar para o segundo turno,pra que? teria que haver uma hecatombe para tirar a vitoria de Dilma.

  3. Nilva de Souza

    13 de janeiro de 2014 9:30 pm

    Aff, cansaço !

    Aff, cansaço !

  4. Jair Fonseca

    13 de janeiro de 2014 9:37 pm

    Marina desagrega. Campos também.

    Achar que Campos e Marina seriam melhores do que Dilma é extremamente ilusório, Gunter. Sendo bem informado, você sabe bem o que eles representam e a quem eles representam. Conhece suas fichas e de quem os cercam, e cercariam no caso improvável de serem eleitos. Pra piorar, não têm base social popular massiva, nem apoio de minorias oprimidas (nesse campo, Marina tinha alguma). Sem apoio das maiorias, eles estão mesmo é com outras minorias: as personificadas por figuras como os Bornhausen, os Lara Rezende, o Itaú, etc. Apesar de ter sido um retrocesso, em vários aspectos, em relação aos governos de Lula, o governo de Dilma é o “melhor que tá tendo” – diria o povo, dirá o povo. Além de ter muito mais chances, Dilma é e será bem melhor que essa dupla aí, única cartada oportunista da oposição, que ironicamente teve que lançar mão de “crias” de Lula para não definhar de vez, ou seja: a antiga oposição está à míngua. Há motivos pra isso, né?

  5. Diogo Costa

    13 de janeiro de 2014 9:48 pm

    Matusalém quer tomar mamadeira

    Existe no Brasil uma renhida disputa entre dois pólos que se pretendem hegemônicos, capitaneados por PT e PSDB, desde o ano de 1994. Não foram poucos os candidatos e partidos que tentaram quebrar esta polarização ao longo das últimas eleições, sem sucesso algum. Esta polarização não surge de sonhos e desejos d’alguns e de outros, mas sim dos acontecimentos concretos vivenciados pela população brasileira nos últimos 25 anos, em nível federal e estadual.

     

    O PT conseguiu fincar estaca no campo da centro esquerda desde o processo eleitoral de 1989 e o PSDB afirmou-se na centro direita desde a eleição de 1994, onde o Plano Real de Itamar Franco serviu de escada para os partidários da ‘social-democracia’ verde amarela. Em todos os processos eleitorais havidos desde 1994 houveram candidaturas que se prestaram a acusar a “falsa” polarização existente entre os dois rivais que hoje comandam o cenário nacional.

     

    Para além da vontade, estas candidaturas que se pretendiam enquanto “terceiras vias” pecavam por não haver conseguido fixar no imaginário popular um significado minimamente crível a respeito de seus projetos e programas. Para 2014 muito se fala em quebra da polarização. Pode até acontecer, mas o fato é que não há elementos que confirmem esta tese.

     

    O PT tem a imensa vantagem de disputar em 2014 com uma candidata que está consolidada no imaginário social como a sucessora das bem sucedidas políticas públicas empreendidas por Lula. Ressaltesse que Dilma Rousseff ostenta hoje índices de aprovação popular (pessoal e de governo) superiores aos índices atingidos por FHC em 1998 e por Lula em 2006. Este é um feito absolutamente notável. Se em 2010 Dilma era ampla, geral e irrestritamente desconhecida do povo brasileiro, afinal de contas jamais havia disputa uma única eleição sequer, agora em 2014 é justamente o contrário.

     

    Ela tem luz própria, afirmou-se no cenário nacional, terá um valiosíssimo recall e conservará integralmente o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva. E lembrem também que José Serra era o governador do Estado mais poderoso do Brasil até abril de 2010 e possuía um grande recall de eleições passadas (2002, 2004 e 2006).

     

    Os oposicionistas atuais, ao contrário, não possuem recall presidencial algum. Eles é que precisam se afirmar e mesmo assim já ostentam índices de rejeição similares aos de Dilma Rousseff. Ora, quem serão os cabos eleitorais privilegiados da oposição neste ano? Fernando Henrique Cardoso tira um ponto percentual de Aécio Neves a cada vez que aparece lhe prestando apoio. E Marina Silva pensa, erroneamente, que possui um ‘imenso’ cabedal político, quando não o tem. Os votos que ela teve em 2010 se deveram muito mais a alta rejeição de Serra e ao desconhecimento, e até certa desconfiança, da população com relação ao nome novo de Dilma.

     

    O atual ocupante do Palácio das Princesas também não conseguiu até agora (e nada aponta que irá conseguir) atravessar a ponte entre Petrolina e Juazeiro. Ou seja, trata-se de uma típica candidatura regional (no sentido de estadual), que terá imensas dificuldades para entrar no eleitorado do Sul e do Sudeste. além de não ter nenhum refresco no próprio Nordeste. Tirando Pernambuco, onde o postulante está praticamente empatado em votos com Dilma, nos outros estados do Nordeste Dilma vem aplicando uma impiedosa goleada.

     

    Talvez ele tenha acreditado na piada que lhe contaram a respeito do voto dos nordestinos, como se um eleitor do Ceará fosse votar em alguém de Pernambuco, a priori, pelo simples fato dele ser um “representante” da região… Ora, acreditar nesta estultice é o mesmo que acreditar que um paulista votaria num candidato do Rio de Janeiro pelo simples fato deste candidato ser um “representante” do Sudeste! Seria como acreditar que um gaúcho votaria num catarinense, a priori, porque este candidato catarinense seria um “representante” da região Sul! Isto é simplesmente ridículo.

     

    Não existem três ou quatro projetos alternativos hoje em Pindorama. O que há são dois projetos antagônicos e irreconciliáveis. O campo neoliberal se vê prejudicado pela letargia do PSDB e é justamente neste suposto vácuo que o rapaz de olhos verdes tenta entrar. Não é a toa que ele e os seus empreendem um giro político de 180º, saindo da base de apoio do governo federal, onde ficaram alegremente durante 11 longos e largos anos (se beneficiando disto), e passando a compor casamentos de véu e grinalda com o PSDB (principal representante do neoliberalismo oposicionista no Brasil) nos estados, além de compor com outras figuras históricas do anti petismo mais radical que viscejou no país nos últimos 10 anos. Perderão o pouco de identidade popular que acumularam até aqui…

     

    A direita quer voltar de forma travestida, envernizada, com ares modernosos e esverdeados, calcados numa suposta defesa de “valores” – existe algo mais conservador do que o debate a respeito de “valores”? – e calcados numa pseudo capacidade administrativa que inexiste na vida real. A verdade nua e crua é que as duas candidaturas oposicionistas montaram em seus estados natais amplas alianças políticas (que fazem as alianças do governo federal parecerem brincadeira de crianças), e criticam o PT pelas alianças que ostenta no plano federal.

     

    A oposição não trás nenhuma ideia que seja importante para as classes laborais deste país. Ao contrário, PSDB e PSB conseguiram até agora única e exclusivamente fazer a defesa do fim da Política Nacional de Valorização do Salário Mínimo e do fim do Regime de Partilha para a exploração do pré-sal (querem tirar a Petrobrás desta exploração), bem como o fim da PPSA (Petrosal), que definem como sendo um “excesso” intervencionista do governo atual. Ora, dizem os neoliberais, onde já se viu uma empresa 100% estatal ser a operado ÚNICA dos poços de petróleo do pré-sal, além de ter poder de VETO na comercialização dos barris e no ritmo da produção?

     

    A direita tradicional do PSDB e a nova direita, representada pelos esverdeados “socialistas”, não apresenta absolutamente nada de novo! São o que há de mais velho e atrasado na política brasileira desde sempre. E fugirão do debate econômico como o diabo foge da cruz, afinal, não podem dizer de verdade o que pretendem fazer, que é retornar com as pérfidas políticas de arrocho salarial e de concentração de renda. Para desviar as atenções dos inocentes úteis virão com o papo furado dos “valores”…

     

    Ou seja, vote nos neoliberais e receba um cálice de “valores” dos homens bons da nação! Quem precisa de salário e de distribuição de renda? Quem precisa de políticas públicas como as cotas e o PROUNI, além da expansão das universidades federais? Dizem os neoliberais que isto é uma bobagem, que o que importa são os “valores”! Passe fome mas tenha “valores”! Perca o emprego mas tenha “valores”!

     

    Enfim, há dois projetos existentes no Brasil, como já foi dito. Um defende o pleno emprego, a distribuição de renda, a diminuição das desigualdades sociais e regionais, a inserção soberana do Brasil no conserto das nações, a unidade sulamericana e o multilateralismo. O outro projeto, antagônico, defende que a salvação para o Brasil é transformá-lo numa Grécia, mas recuperando os “valores”…

     

    Absolutamente nada de novo. Apenas o fato de que uns e outros Matusaléns tentarão se fantasiar de jovens com jovens e arejadas propostas… Ou seja, Matusalém quer tomar mamadeira.

    1. Roberto Monteiro

      14 de janeiro de 2014 10:27 am

      Por um prato de lentilhas.

      Diogo, lendo o teu comentário, me veio à lembrança a parábola dos pratos de lentilhas. Será que este povo está trocando um projeto de país por um prato de lentilhas (valores)?

  6. Jaime Balbino

    13 de janeiro de 2014 9:49 pm

    Gunter está exagerando.

    Gunter está exagerando. Apesar de fazer uma análise certa sobre as espectativas dos eleitores de Marina, infla seu percentual como se já fossem uma 2a força. Nem tanto, né.

    Ele dá 45% para Aécio e acha que os votos do PSB viriam de eleitores do PT. Ou então acha mesmo que é possivel o PSB crescer sem tirar votos do candidato do PSDB. Duvido que Campos não esteja pensando exatamente nisso. É mais fácil sangrar Aécio do que Dilma, ou esperar que sua campanha vitoriosa até o segundo turno retire 2 a 3 votos de Aécio para cada voto perdido por Dilma.

    Acho que uma chapa Campas/Marina tem muita chance de ir ao 2o turno, mas fará isso principalmente canabalizando votos do PSDB. A questão que fica é a seguinte: Dilma conseguirá manter a dianteira enquanto os demais se matam para fechar a fatura no 1o turno? Eu tenho certeza de que é impossível prever isso agora e é puro achismo afirmar que haverá 2o turno com os dados atuais.

  7. Daytona

    13 de janeiro de 2014 9:54 pm

    O problema é que Marina vem

    O problema é que Marina vem com seu discursinho econômico neoliberal, o que é uma ameaça para o consenso da “grande convergência”. Nesse ponto, creio que Campos comprometeu a segurança de manter a política sócio-econômica do PT. Serra tentou dizer que manteria as políticas de Lula, mas ninguém acreditou(por motivos óbvios). Campos talvez fosse mais convinvente, até porque participou(e, principalmente, aproveitou-se)das políticas do PT. Agora, aliado ao neoliberalismo de Marina e juntando-se ao PSDB, joga no lixo o que talvez fosse seu maior capital político: a possibilidade de ser uma alternativa ao PT oriundo do mesmo projeto de país, amplamente aprovado pela população.

    Com essa política de alianças, Campos demonstrou seu provincianismo político, o mesmo que já havia adotado durante as eleições municipais, quando adotou o discurso “anti-paulista” nas eleições em PE, um discurso provinciano bastante inadequado para um político com pretensões presidenciais.

  8. Ulisses s

    13 de janeiro de 2014 10:04 pm

    Os argumentos

    “De onde partem as críticas a Campos/Marina? Apenas dos petistas. Políticos ou militantes de outros partidos da coligação governista não antagonizam quem tem uma pequena chance de vencer. Do lado do PSDB também não”. ??????????????????????????? Descobriu a polvora! Claro que é só o PT. Os outros estão torcendo por ela, Querem o segundo turno. Com um argumento assim eu parei de ler. Sua ingenuidade ideológica parece que o cega. Assim como o eleitorado da direita que cansa de chamar o PT de corrupto, seus eleitores de petralha, o mensalão de maior escândalo de corrupção do Brasil, alías único, não conheço outro escândalo envolvendo o partido divulgado pela mídia, enquando a verdadeira corrupção aparece todo dia com notícias de escândalos envolvendo o PSDB e seus aliados como 1 bilhão no trensalão tucano, 500 milhões na prefeitura paulista com assinatura de assessores do PSDB, PSDB goiano e uma cachoeira de corrupção, Agripino e cia no RN, Beto Richa e um Paraná falido(????????), Lista de Furnas e Aécio, Mensalão do PSDB sem julgamento e o absurdo, um helicoptero com 450 kg de cocaína sem comprador. E é esta tchurma segundo a Xuxa, que o Eduardo Campos está agregado. Como diria o Robin! Santa ingenuidade Batamn!

  9. Uruguaio

    13 de janeiro de 2014 10:06 pm

    Como conseguiram avançar no Uruguai …

    Escrevo do Uruguai, país onde costumo passar férias.  Como se sabe alguma leis foram aprovadas este ano relativas ao aborto, casamento gay e ao consumo de maconha no Uruguai. Garanto que apesar do empenho do Presidente Mujica, que recentemente chamou um funcionário da ONU de “velho careta” por criticar as leis relativas à maconha, nenhuma dessas leis seria aprovada se a Frente Ampla, que preside o país pelo segundo mandato, não tivesse maioria no Parlamento. Essa maioria foi obtida graças a dois aspectos fundamentais do sistema  eleitoral uruguaio: i) financiamento público de campanha e ii) voto em lista.  Quando se vota para presidente no Uruguai, se vota automaticamente para senadores e deputados do mesmo partido do presidente.  

    Assim, não vejo outra forma dessas questões serem ao menos discutidas no Brasil sem que haja uma ampla Reforma  Política. O único partido que colocou de forma clara o que pretende de uma Reforma Política foi o PT. A única candidata que defendeu a Reforma  até agora foi a Dilma. Vc disse que 70% dos apoiadores da Rede defendem questões como casamento gay dentre outras. Vc  acha que com os apoiadores do PT e militância seria diferente? Mas o que adianta se não se consegue maioria no Congresso? E o  PSB defende a Reforma Política? Qual Reforma Política? E o Dudu? Irá defendê-la como a Dilma? E a Marina? Ou vão ficar em cima do muro? 

  10. Rekern

    13 de janeiro de 2014 10:10 pm

    A direita em 2014

    É claro que os conservadores não estão preocupados com temas morais, mas usarão isto para atacar quem for progressista. A direita só não ataca Campos porque vê nele uma pequena chance de dividir o centro/esquerda. O PT só está provocando o PSB para não desviar a atenção da mídia do Aécio e do PSDB.

  11. GalileoGalilei

    13 de janeiro de 2014 10:54 pm

    Prezado Gunter,
    Tenho o amigo

    Prezado Gunter,

    Tenho o amigo em alto apreço, por isso, sem ironias, julgo o artigo acima muito aquém do que o autor é capaz de apresentar.

    “Marina agrega à campanha de Eduardo Campos”:

    Tenho, para mim, que isso é um mito. Acredito mesmo no contrário. Marina + Eduardo Campos se desagregam mutuamente. As rejeições dos dois tendem a se somarem.

    Mas, não é o que mostram os resultados das pesquisas?

    Bem… a minha resposta é que estes resultados mostram apenas uma euforia com um fato novo. Tipo fogo de palha. Tão logo as idiosincrsias de cada um forem se mostrando ao público, a tendência é o recrudescimento do desencanto e a adição das rejeições.

    “De onde partem as críticas a Campos/Marina? Apenas dos petistas.”

    “A mídia poderá perceber isso e acho provável esperar que daqui até outubro não existam críticas contundentes nem a Campos nem a Marina em lugar nenhum da grande mídia.”

    Me parecem, as duas afirmações acima, meras expressões de whishfull thinking. Há manifestações contundentes da mídia em relação à Marina. Por enquanto sobressaem, pela sua própria natureza, apenas aquelas provenientes do Rottweiler de plantão. Mas não seria impensável imaginar que outros mini-rottweilers coparticipem mais ativamente dessas manifestações anti-Marina.

    É uma turma que talvez possa aceitar Campos como mal menor, mas jamais se colocaria ombro a ombro com Marina.

    Acho mesmo que setores petistas são muito mais comedidos.

    Setores do agro-negócio (Katia Abreu, Ronaldo Caiado) jamais dariam apoio a esta chapa.

    Setores de extrema direita (Bolsonaros & Cia) também não.

    Ambos constituem parcelas significativas do eleitorado que podem votar no candidato Aécio, mas jamais em Marina. Katia Abreu, pragmaticamente, poderá até, por falta de opção, votar em Dilma.

    Bolsonaros, se não aparecerem candidatos do tipo ‘prendo e arrebento’ são mais capazes de anularem seus votos. Ou então já estão se preparando para criar suficiente confusão que possa vir a alimentar a tentativa de uma aventura golpista.

    Pastores Felicianos terão, tal como os Bolsonaros, muitas dificuldades em agregar valor a qualquer das candidaturas.

    Só aí já vai uma grande parcela do eleitorado que será perdida. Parcela esta que fará mais falta à Campos/Marina, a até mesmo ao Aécio, do que à Dilma.

    Não devemos esquecer da grande massa resgatada do anonimato pelos governos petistas. Acredito que esta desequilibrará quaisquer outras alternativas.

    Entendo a decepção do colega com o abandono de certas bandeiras, caras ao autor, pela atual administração petista. Acho mesmo, lamentável que isso tenha ocorrido. Mas, realisticamente falando, me parece ilusório imaginar que essas bandeiras venham a ser levantadas pela dupla Campos/Marina.

    Ao contrário, uma vitória consagradora para a Dilma em um segundo mandato, pode vir a liberá-la de certos compromissos e constrangimentos pelos quais passou nas eleições passadas. As ideias da Dilma não mudaram. Apenas tiveram que ser postas de lado por que havia a necessidade de se formar um governo de coalisão com forças muito díspares, na maioria conservadoras.

    Finalmente, há a questão de um governo Campos/Marina. Como este poderia se sustentar sem alianças. Com quem fariam alianças? Por enquanto, a linguagem é a mesma do PT de antigamente. Dizer que fariam alianças com “os melhores do PT e do PSDB” é quase a mesma coisa que dizer que ficarão sem fazer alianças, pois são contrários a tudo que está aí.

    E o destino de um governo sem maioria no Congresso, nós já conhecemos.

    De qualquer forma, o jogo não está decifdido. Há, como sempre, cartadas tiradas de dentro da manga que podem vir a tumultuar o processo. Joaquim Barbosa, por exemplo.

    De modo, caro Gunter, admiro a sua inistência em defender a chapa Campos/Marina. Mas confesso, nem tenho a certeza de que você mesmo acredta nela.

     

     

     

    1. GalileoGalilei

      14 de janeiro de 2014 2:46 pm

      Prezado Gunter,
       
      Hoje o

      Prezado Gunter,

       

      Hoje o Janio de Freitas toca na complicada relação Campos-Marina.

      Reproduzo, abaixo a parte do texto em que o assunto é mencinado.

      Acho que convém prestar atenção no que ele diz:

       

      janio de freitas

      14/01/2014 – 03p0

      Marina, Eduardo etc.

      O choque de objetivos se complica e se acirra entre Marina Silva e Eduardo Campos no PSB. Os grupos de ambos acusam a existência apenas de intrigas da imprensa, mas Eduardo Campos e sua corrente partiram para iniciativas que os recuperem da noticiada perda de força na sua relação com Marina Silva. Tudo sugere, porém, que as iniciativas adotadas não levarão ao resultado pretendido, e, sim, à permanência mais agravada do choque.

      A maneira como Eduardo quis invalidar a recusa de Marina a apoiar a recandidatura de Geraldo Alckmin –doou ao PSDB uma secretaria e um cargo de segundo nível no governo de Pernambuco– nem arranhou a intenção da Rede de lançar candidato próprio em São Paulo. E, atraindo peessedebistas de Aécio Neves para a sua candidatura, leva o comando nacional do PSDB a reagir com a proibição de acordos estaduais sem a sua concordância prévia. O que pode trazer danos indiretos ao PSB em outros Estados.

      O entendimento com o PSDB de Pernambuco, sem entendimento a respeito com Marina, teve a desculpa de ser ato do governo. Já a planejada reunião, na próxima sexta-feira, de dirigentes do PSB sem a participação de Marina, tem, por si só, um ingrediente inegável de animosidade. E vai muito além disso, com os já antecipados propósitos de acelerar o compromisso de apoio à recandidatura de Alckmin e cravar Marina Silva como candidata a vice de Eduardo Campos.

      Por ora, o pretendido avanço da corrente de Eduardo Campos parece pouco para demover Marina Silva de suas posições e propósitos. Mas suficiente para criar novos embaraços na relação em que Eduardo Campos ainda está por demonstrar algum ganho com sua apressada criação do PSB-Rede.

       

      O negrito no último parágrafo foi introduzido por mim.

       

  12. Marco Antonio Bergamaschi

    13 de janeiro de 2014 10:58 pm

    Gunter traça uma possivel e

    Gunter traça uma possivel e complexa estratégia eleitoral para derrotar o atual governo. Neste longo texto, não encontrei uma idéia sequer de como ou porque um futuro governo Campos/Marina trariam melhorias ao país, notadamente para as condiçoes de vida da populaçao mais desfavorecida.

    No final das contas, parece também que para esta suposta terceira via, a questão se resume a disputa de poder.

    1. flyrmc

      14 de janeiro de 2014 10:11 am

      Prezado Marco
      E você nem vai

      Prezado Marco

      E você nem vai ver !!! Segundo a própria Marina, em entrevista quando não conseguiu fundar seu partido, disse que o objetivo é tirar o PT do poder. Por isso se aliou ao Eduardo Campos. Por isso, acho que o discurso do Gunter, embora faça algum sentido (pois discordo, Marina não complementa Eduardo) do ponto de vista teórico, infelizmente não passa de pó …

      Como você mesmo disse “questão se resume a disputa de poder.”  Tanto que não há idéias ou propostas novas, e, sabemos bem que há diferenças significativas considerando o modelo do PSDB ou da Rede. No caso do PSB talvez não tanto, mas para mim, em função desta aliança  … não sei

      1. Marco Antonio Bergamaschi

        14 de janeiro de 2014 4:21 pm

        Muito bem lembrado a

        Muito bem lembrado a entrevista de Marina acusando o chavismo do PT. Acho que ambos não apresentaram argumentos suficientes para proporcionar um rompimento profundo com o atual governo (é lógico que existem divergências pontuais) e, o mais grave, uma guinada para a oposição, com alianças dificeis de explicar para quem propõe uma nova política.

        Por estas razões que fica a impressão que tudo se resume a disputa de poder e projetos pessoais.

  13. alexandre a.moreira

    13 de janeiro de 2014 11:29 pm

    Como disse o Diogo Costa

    A trajetória do banqueiro Daniel Dantas, esquadrejada em minucioso trabalho jornalístico pelo repórter Rubens Valente (leia a resenha do seu livro ‘Operação Banqueiro’;  nesta pág)  reúne um repertório tão abrangente de personagens, crimes econômicos, ademais de manobras político-partidárias, policiais e jurídicas que involuntariamente pode anestesiar a percepção do leitor para um aspecto não negligenciado na narrativa.

    Daniel Dantas não foi um acidente de percurso no Brasil dos anos 90.

    A sociedade despedia-se então de um ciclo esgotado do seu desenvolvimento.

    Tateava outro, embalada  na firme adesão de suas elites à ideia de que o atalho para o futuro tinha um preço: eliminar  qualquer coordenação democrática do Estado sobre a economia e o crescimento.

    O PSDB do sociólogo e presidente Fernando Henrique Cardoso considerou que o custo era justo.

    Isso não é o necrológio de uma época.

    Tucanos e variações da mesma espécie, eventualmente com sotaque pernambucano, assim como progressistas arrependidos continuam  a crer  que a contrapartida  é uma bagatela.

    A galinha morta, congelada durante cinco anos pela crise dos seus fundamentos, volta assim ao balcão das ofertas eleitorais como frango fresco.

    Quiçá orgânico, graças às contribuições  de Marina Silva.

    Não se pode subestimar a lição política extraída do relato minucioso de Valente.
    Uma reforma política que dificulte ao máximo a captura das campanhas eleitorais pelos agentes do dinheiro grosso é um imperativo do regime democrático.

    Mas ela não basta.

    É preciso que os interesses graúdos sejam igualmente regulados pelas urnas na exata medida do que a sociedade requer das instituições e recursos por eles  dominados. 

    Quem o fará?

    Esse capítulo não consta, nem poderia constar do livro.

    Antes que seja coligido por um autor, a disputa política terá que dizer o que o país pretende dos bancos e do sistema financeiro em geral.

    Banqueiros, ao contrário do feérico Daniel Dantas, em geral são discretos.

    O  papel que desempenham na engrenagem sistêmica recomenda uma rotina à  salvo dos refletores políticos e judiciais.

    É  questão de segurança e de história.

    O dinheiro grosso passa por eles  –às vezes literalmente, a caminho de paraísos fiscais como o das ilhas Cayman –mostra o livro;  ou embarcados em esféricas contabilidades que preservam a identidade, o patrimônio e a sonegação  de seus anônimos detentores.

    Bancos e banqueiros formam uma espécie de estuário dos sucessos e  pecados expressos na forma mais desejada, arisca e versátil da riqueza — a forma dinheiro, na qual todas as outras estão representadas. 

    Não se confunda o sistema financeiro com mera tinturaria ou levedura dos endinheirados.

    Ainda que seja isso também,  sua estrita regulação é crucial para que se aplique no que lhe cabe como provedor do crédito, sem o qual não há crescimento no capitalismo.

    O multiplicador que permite ao banco emprestar várias vezes aquilo que de fato possui em depósitos, fia-se na certeza de que nem todos os correntistas e investidores vão sacar o seu pecúlio ao mesmo tempo.

    É esse lastro de vento que permite ao crédito ser uma antecipação do futuro.

    Ao irrigar a produção e o consumo permite à economia erguer-se pelos próprios cabelos, encorpando a musculatura da mais-valia na acumulação subjacente.

    Boa parte da engrenagem se apoia numa cabeça de alfinete chamada confiança nos bancos.

    O oposto é a corrida aos saques – capaz  de destruir um banco em questão de horas,  por conta justamente do descasamento intrínseco ao seu alicerce entre ativos e passivos, prazos e expectativas díspares.

    Quando todas as variáveis  convergem para um mesmo ponto –a esquina do pânico –  o sistema financeiro quebra.

    Influenciar sem se expor, sem gerar ruídos  é, portanto, o segredo desse negócio.
    Daniel Dantas destoa no quesito recato.

    Mas se encaixa no ditado, segundo o qual, não se deve cometer o equívoco de jogar o bebê com a água suja do banho.

    A dimensão político- judicial da atabalhoada ascensão financeira não o torna um personagem menos elucidativo  da agenda cuja presença ainda pulsa tão forte na política brasileira quanto os interesses que ele expressou e muitos ainda expressam.

    Esqueça a imagem do bandoleiro adestrado na rapinagem tosca.

    Fundado em 1994 e tendo iniciado as operações em 1995, não por acaso seu banco levava o nome de Opportunity, conforme observa Rubens Valente com a mesma sagacidade do personagem.

    Não era um banco convencional voltado ao financiamento da produção e do consumo.

    Era uma ferramenta  dos novos tempos.

    Esses que persistem insepultos apesar da crise brutal em que mergulharam o planeta desde 2007/2008.

    A ‘oportunidade’ dos novos ares saltara aos olhos de Dantas, e outros, com a vitória do PSDB  nas eleições de 1994.

    Fernando Henrique Cardoso assumiu com a mesma disposição de Collor.

    Defenestrado no meio do caminho, o ‘caçador de marajás’ construído pela Globo e assemelhados, prometera privatizar 68 estatais.

    Caiu quando tinha liquidado 18.

    Dantas participou da formulação desse programa de governo.

    Protegido de Mario Henrique Simonsen, de quem fora aluno brilhante, chegou a ser cogitado como ministro da Fazenda de Collor; do mesmo modo, e pelas mesmas mãos, participaria do plano de FHC, como conselheiro econômico do principal aliado tucano em 94 e 98, o  PFL (depois Demos).

    ‘O liberalismo econômico é a única solução para sairmos do impasse (…) é a saída mais rápida e eficaz, especialmente porque não exige coordenação. O governo deveria se engajar num amplo programa de privatizações . Deveríamos começar pela privatização do próprio  setor privado: fim das cotas, monopólios, subsídios.’

    O trecho é de um artigo de 1988 (na Folha) do futuro banqueiro que estudou no MIT, era tido como garoto prodígio e começou no mercado administrando fortunas de endinheirados, como a do ex-presidente do Bradesco, Antonio Carlos de Almeida Braga, o Braguinha.

    Compare-se com o que diz hoje a cavalaria dos colunistas que diariamente acusa o necrológio do modelo ‘intervencionista’ do PT e o anacronismo da ação desenvolvimentista do BNDES, que adicionou R$ 190 bi ao investimento da economia em 2013.

    O texto de 1988 poderia ser assinado hoje  por um formulador do tucano Aécio Neves, como Edmar Bacha. Ou um guru das microreformas, como Marcos Lisboa, que há dias despejava megatons contra o que classifica de ‘o velho desenvolvimentismo do governo’, no não menos comparável jornal Valor Econômico.

    O que dizem todos os assessores de Campos se não a mesma coisa  que já dizia  FHC na famosa entrevista concedida a Folha, em 13 de outubro de 1996 quando via a humanidade a caminho de um novo Renascimento – nos braços da globalização.

    É forçoso reconhecer: o  sociólogo intuía a ameaça subjacente ao pacto mefistofélico feito com os ditos ‘livres mercados’.

    Na ausência de contrapesos institucionais, o que aconteceria em caso de colapso financeiro global, perguntava-se?

    O tucano conservador,  porém, preferiu não dar corda às especulações do sociólogo optando por  terceirizar a governança  à hegemonia dos mercados financeiros desregulados: ‘ninguém foi capaz, nem eu sou, de dizer como se resolve essa questão das “regras de governança” em nível mundial. Não tem problema se não houver tropeço grande do sistema financeiro. Aí está: você tem um conflito aqui, outro ali, mas não dá uma crise maior’.

    ‘Mas, e se der?’, perguntava a si mesmo.

    Estamos falando, portanto,  de um metabolismo coletivo do qual Dantas foi a artéria exposta de uma época que ainda não acabou.

    Seu instinto e intelecto souberam transformar o  vento de popa da desregulação ensaiada por Collor, e consumada pelo PSDB, no combustível da engrenagem faminta que o levou onde chegou. 

    Longe.

    De gerente de fortunas alheias, com um caixa de US$ 50 milhões, nos anos 80, no Icatu, banco pessoal da família Braga, em 1997 ele já movimentava investimentos da ordem de US$ 3,7 bilhões a bordo do Opportunity.

    O ponto de mutação envolve o mergulho de cabeça  em um enredo meticulosamente decifrado no livro.

    Ele reúne a determinação do governo do PSDB de privatizar portos, jazidas, telefônicas, elétricas,  petroquímicas, siderúrgicas, ferrovias – e mesmo a Petrobrás, recomendada por  Dantas, diga-se, mas salva no escândalo da Petrobrax.

    À determinação tucana aliou-se a do banqueiro de não perder a exuberante oportunidade.

    Para isso juntou interesses aflorados com a grande lambança rumo a um modelo de desenvolvimento menos ‘burocratizado’, dizia-se,  literalmente franqueado aos instintos capazes de explorar todas as possibilidades do cardápio.

     O City Bank foi um dos que aderiram ao menu oferecido pelo Opportunity , que se especializou em compor pools de capitais para avançar sobre as estatais de faca na boca.

    No caso do City havia  um adicional de apetite: interessava ao banco desfazer-se de papéis da moratória brasileira dos anos 80.

    Em vez de direitos de saque teóricos sobre uma riqueza futura, o saque em espécie do patrimônio tangível.

    As regras da privatização tucana facultavam a modalidade de gula.

    O banco norte-americano colocaria  entre US$ 700 milhões e US$ 1 bi nas mãos de Dantas, com quem iria se indispor no imbróglio das teles anos depois, em conflito que se repetiria entre o banqueiro e os fundos de pensão, já aqui sob a gestão do PT, em disputa de poder pelo comando das privatizadas.

    A resenha de Renato Pompeu nesta página é um precioso guia para o leitor de Rubens Valente não perder o fio da meada.

    São rounds e rounds de um duelo de perder o fôlego, do qual participariam direta e indiretamente não apenas o PSDB, mas também integrantes de um pedaço do PT, da PF e do judiciário.

    A endogamia entre Daniel Dantas e Gilmar Mendes é um caso à parte.

    Debulhada em triangulações que envolvem escritórios de advocacia interligados por pontes de interesse familiar  e favores pessoais, reúnem material suficiente para convocar a palavra escárnio.

    Ela precifica os rompantes do magistrado que evocava o risco republicano de um Estado capturado pelo PT, no julgamento da AP 470.

    O livro de Rubens Valente não esgota o assunto.

    Não por falha do autor.

    Trata-se,  como se disse acima, de uma história inconclusa.

    Interesses, visões de mundos, forças políticas e personagens centrais iluminados por ele continuam a exercer e a enxergar no Brasil uma enorme oportunidade.

    Tome-se o caso pedagógico do economista  Pérsio Arida, por exemplo.

    Arida participou ativamente, ao lado de André Lara Rezende e outros, da formulação do Plano Real; presidiu o BNDES  –agente financeiro das privatizações—até  a posse de FHC, em janeiro de 1995, quando assumiu a presidência do Banco do Brasil.

    A esposa, Elena Landau, exerceu o cargo mais específico impossível de coordenadora do programa de desestatização do BNDES.

    Arida e Landau saíram do governo FHC antes de soar a campainha convocando os mercados para o rebabofe das estatais que eles ajudaram a deixar ao ponto.

    Foram direto de mala e cuia trabalhar para o Opportunity  de Daniel Dantas (Landau fez um aquecimento prévio na gerencia de investimento do banco Bearn Sterns)

    Arida passou a ser apresentado aos clientes como parceiro sênior do banco, atuando diretamente na frente de investimentos, leia-se, arremate de estatais.

    Que nome dar a isso?

    Arida, Bacha, Landau, Lisboa, Mendonças, Lara Rezende (hoje um guru do econeoliberalismo de Marina) continuam a pontificar e a pautar a agenda econômica do país, na assessoria de forças conservadoras e como referência do colunismo embarcado.

    Aquilo que especulava FHC na entrevista citada de 1996  deixou de ser especulação –‘Não tem problema se não houver tropeço grande do sistema financeiro; você tem um conflito aqui, outro ali, mas não dá uma crise maior. Mas, e se der?’

    Deu.

    A inexistência de alternativa à altura, porém, encoraja a mesma  turma a apostar em uma nova chance em 2014.

    Uma nova oportunidade – diria aquele que de todos talvez tenha sido o mais transparente em seus propósitos.

     

     

    http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Com-quantos-oportunistas-se-faz-um-Opportunity-/29991

     

    1. fabio GM

      14 de janeiro de 2014 12:22 am

      ??????????????

      E o que isto tem a ver com o post sobre Marina e Campos?

      1. Roberto Monteiro

        14 de janeiro de 2014 10:35 am

        Precisa desenhar?

        Tucanos => Dantas => Privatizações => opportunity =>  choque de gestão => campos/marina => itaú/natura/… =>psdb => eleições. Tá tudo interligado.

  14. fabio GM

    14 de janeiro de 2014 12:25 am

    lucido

    Primeiro post que vejo sem a raiva e chingamentos dirigidos a Campos e Marina, espero que outras pessoas sejam contagiadas por esse post, e  que tenhamos um debate lucido e com troca de ideias. 

    1. Roberto Monteiro

      14 de janeiro de 2014 10:08 am

      Lúcido?

      Está mais para panfleto. Lógico que os simpatizantes vão gostar. Antes de se apaixonar pela dupla, o Gunter poderia ser considerado um comentarista diferenciado, alheio à nossa disputa (sim, eu tenho lado), ponderando e analisando friamente, mas agora, sabe como é paixão.

  15. Elton

    14 de janeiro de 2014 12:31 am

    é isso!

    “Enfim, há dois projetos existentes no Brasil, como já foi dito. Um defende o pleno emprego, a distribuição de renda, a diminuição das desigualdades sociais e regionais, a inserção soberana do Brasil no conserto das nações, a unidade sulamericana e o multilateralismo. O outro projeto, antagônico, defende que a salvação para o Brasil é transformá-lo numa Grécia, mas recuperando os “valores”…”

    É isso o resumo: são dois projetos antagônicos de país. O resto perde importância em relação a isso. As aspirações do Gunter (sei quais são pq acompanho seus textos e posts indicados desde seu primeiro dia aqui no blog)  não serão contempladas com uma virtual vitória da oposição, seja quem for, pelo simples fato de que não dependem de quem é o Presidente da República, mas da composição do Congresso Nacional, o que NUNCA muda de forma considerável. Qualquer governo que se formar terá de conviver e negociar com os mesmos atores políticos de agora e de sempre. Certamente há prioridades a se negociar, pq os recursos negociáveis são finitos. Esses atores mudam tão lentamente qto o todo da sociedade, e são dependentes de fatores externos à política e ao governo da ocasião. Ninguém, nenhum falso verdismo apoiado pelo Itaú (a banca) e pela Natura (modelo de negócio baseado no não emprego, baseado na informalidade, e que prosperou numa época de muito desemprego) ousará mudar a política agricola que é responsável direta por grande parte do superavit comercial atualmente. Mesmo pouca mudança haveria na politica industrial que sustenta o pequeno equilíbrio social das grandes cidades. Aumentando o desemprego, como pregam os ideólogos oposicionistas, arrisca-se convulsão social muito maior que as armadas pelo facebook. Alguém arriscaria uma política diferente da atual, que poderia resultar em desemprego industrial e agricola, além de possivel alienação de capital de investimento e decorrência do provável aumento de juros concedido à mesma banca? Pois se é a banca quem financia, não haveria de cobrar com juros esse apoio posteriormente?  A mudança, talvez, haveria com a desvalorização um pouco maior do Real. Num país um pouco mais desenvolvido, ou onde não houvesse uma “guerra santa” contra  os interesses desse mesmo país promovida pelo neoliberalismo, e seus atores, que não encontra limites, seria ridículo o projeto da oposição ter qqer defesa crível.

     

  16. J.Roberto Militão

    14 de janeiro de 2014 1:37 am

    EDUARDO (nova gestão) e MARINA (nova política)

                    Günter é isso meu prezado: a MARINA e EDUARDO, independentes da ordem na disputa eleitoral se complementam, política e eleitoralmente, pois representam uma proposta de renovação e de esperança no horizonte, portanto, viável.

                    Milhões de brasileiros foram às ruas e nenhuma resposta política foi efetivada. Essa dupla candidatura em que não se esconderá o vice, representam mais que uma disputa entre facções polarizadas. Eles representam uma novidade: se colocam, eleitoralmente, para responder às expectativas que se revelaram frustradas em 2013.

                   Cuidar dos recursos públicos para serviços padrão FIFA nos serviços da saúde e da educação com uma gestão transparente é uma meta possível.

                    Propor a Reforma política, através de uma coalizão de centro-esquerda apoiada num programa de governo submetido à eleição presidencial a ser realizada por uma Constituinte exclusiva, neutralizando os fisiológicos e corruptos, tipo Sarney, é recomendável.

                   Submeter o fim das reeleições que a expectativa da obrigação de ser reeleito abre caminhos para acordos eleitorais lesivos ao estado, fonte primaz da corrupção. A fixação de mandatos de cinco ou até seis anos, em eleições gerais unificadas também é desejável.

                    O induzimento ao crescimento econômico menos predador, mais sustentável e solidário é factível. E estimular a micro economia visando ampliar e sustentar essa nova classe média é emergencial.

                   A criação de mecanismo de gestão na administração pública, cuidando para que a corrupção não continue impedindo a conclusão de obras públicas fundamentais, como são a transposição do São Francisco e centenas de outras obras do PAC, é indispensável.

                   O desafio de uma reforma tributária não pode esperar.

                   Reconhecer que os governos tucanos e petistas, já duram vinte e dois anos – 1992 (Itamar/FHC) a 2014 (Lula/Dilma) e conseguiram estabilizar a economia; dar ênfase ao controle das contas públicas; promover melhor distribuição de rendas e ampliar a rede de proteção social é reconhecer que tais conquistas foram relevantes e inegáveis. Mas não representam um fim em si mesmo.

                  Segundo as vozes das ruas, os brasileiros querem muito mais. Chegou à hora de novas conquistas sociais. E essas conquistas devem ser pautadas pela ética. A ética na política; a ética na gestão pública; a ética na ocupação do estado são metas desejáveis e atingíveis.

                  Chegou a hora da adoção de 10% do PIB para a educação. Chegou a hora da criação de mecanismos democráticos de intervenção da população nos destinos da nação. Chegou a hora de um novo pacto federativo. Chegou a hora de se pensar no Brasil de 2030; 2050: o Brasil de nossos netos.

                  Portanto, EDUARDO e MARINA trazem essa mensagem de esperança, de mudanças, de um novo pacto político: um novo Contrato Social.  Os brasileiros chamados a participarem dessa construção coletiva e democrática, é quem responderá: sim ou não. A síntese do programa eleitoral deve ser essa: queremos mais?

     

    1. Ed Döer

      14 de janeiro de 2014 3:03 am

      Cuidar dos recursos públicos

      Cuidar dos recursos públicos para serviços padrão FIFA nos serviços da saúde e da educação com uma gestão transparente é uma meta possível.

       

       

      Legal, então vamos ver o que o Campos anda fazendo de notável em Pernambuco na Educação tendo como base o IDEB:

       —————————-

      Embora as metas tenham sido superadas, os resultados ainda são considerados baixos, se comparados a outros estados e regiões do Brasil. Pernambuco ficou apenas à frente de outros cinco estados nordestinos no ranking nacional do 9º ano do ensino fundamental (que corresponde à antiga 8ª série): Rio Grande do Norte e Paraíba, ambos com 3,4 pontos; Sergipe e Bahia, ambos com 3,3 pontos e Alagoas, que teve a pior colocação do Brasil, com 2,9 pontos entre os estudantes do último ciclo do ensino fundamental.

      ————————-

      No Nordeste, o Maranhão ficou à frente de Pernambuco, com 3,6 pontos, seguido do Piauí (4,0) e Ceará (4,2), cujos estudantes atingiram as melhores pontuações na região.

      Nota do comentarista: Sim, o “arrasado” Maranhão da oligarquia Sarney na frente do Estado capitaneado pela “nova gestão”…

      —————————

      Pernambuco também ficou abaixo na pontuação de todos os estados da região Norte (que obteve média de 3,8).

      ———————————

      Com relação às notas do ensino médio obtidas no Ideb, Pernambuco teve uma nota levemente acima da média do Nordeste (3,3), alcançando 3,4 pontos, e ficando em segundo lugar na região, apenas atrás do Ceará, com (3,7).
       

      Neste comparativo, o estado também ficou abaixo da média nacional (3,7).

      Fonte: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2012/08/pe-supera-todas-metas-do-ideb-nos-ensinos-fundamental-e-medio.html

  17. Laura

    14 de janeiro de 2014 2:31 am

    Que qui eh isso?
    Propaganda

    Que qui eh isso?

    Propaganda da chapa?

    Nao da.

     

  18. Ed Döer

    14 de janeiro de 2014 3:05 am

    Duas coisas para considerar

    Duas coisas para considerar sobre a dupla dinâmica:

    Até onde vai e quem são os “membros” ou simpatizantes da REDE (e da Marina)? Se a Marina tivesse de fato concretizado o partido dela, seria outra história. Mas se alguém com quase 20 milhões de votos não conseguiu que míseros 2,5% desse total dessem um “voto de confiança” para um partido que representava um novo jeito de fazer política, é de se imaginar que os votos lá de 2010 foram fruto do momento político atípico que marcou aquela eleição. E não algo que se possa efetivamente contar em 2014, ainda mais para um mero VICE. As pessoas votam para presidente e não para vice. Se ainda estívessemos em outro período da nossa república até não estranharia a Marina ser eleita vice de Dilma.

    E não cabe comparar com o recall do Serra, pois a Marina não tem nem de perto a mídia que o Serra tinha, seja em espaço como em apoio concreto de jornalistas…ou mesmo (pseudo-)realizações pessoais na trajetória política. Lembrando ainda que Marina não ganhou em 2010 nem no Estado onde construiu sua carreira. E o discurso do “novo” virou pó com a adesão ao “jeito velho”.

    O outro ponto para apontar são os palanques da dupla, ou melhor, a possível falta deles. O PT e o PSDB estão melhores estruturados politicamente pelo país, e provavelmente terão palanques fortes e competitivos localmente, seja encabeçando a chapa, ou sendo parte importante dela. E o PSB? É ainda um partido médio em desenvolvimento, sonhando em ser grande. Que palanque tem para trabalhar no RS, RJ, SP ou MG, por exemplo? Quem vai “puxar” esse voto localmente?

  19. Andre SP

    14 de janeiro de 2014 6:51 am

    Eduardo e Marina

    Gunter este seu discurso eu o vi em primeira mão através de um integrante da REDE, que começava com a indagação de como fazer para libertar o PT da “madona” PMDB. Eu disse que seria impossível, PMDB na oposição derruba qualquer governo. Com um pouco de mais conversa e aprofundando no assunto ele me contou os planos do partido:

    Afastar o Brasil do eixo do mal, entendesse ai, afastar-se da China, Índia, países do oriente médio e parceiros da América do Sul;

    Reativar parcerias com o Estados Unidos e Europa e parar de jogar dinheiro no lixo nas investidas sobre a Africa;

    Acabar com este ambiente de “Chavismo” que estava se instaurando no Brasil;

    Fazer uma reforma política, mudando para Parlamentarismo;

    Sitou até as formas como conseguiriam desacreditar a Dilma e jogar o povo contra ela para que chegassem ao poder.

    Esta conversa se passou a um ano e meio, sitou vários nomes que se confirmarão, e ainda existem muitos outros inrustidos, alguns, até fiquei boquiaberto, não esperava isto deles.

    Nas manifestações de junho que para mim não foram surpresas, a maioria deles sairam da gaiola!

    Em essência são contra Prouni, FIES e todos os projetos que financiam o estudo superior. Usarão em campanha que estas ferramentas são para enriquecer instituições privadas em conchavo com seus mamtenedores, em vez de investir diretamente na reforma da educação.

    Alegou que deixariam o Governo do PT achar que estão com uma reeleição garantida apostando no Mais Médicos, mas, que em algum momento de 2014 o STF declararia o programa como inconstitucional fazendo com que o PT ficasse ridicularizado perante a opinião publica. Duvido muito que tenham coragem, já que a maioria da população o aprove, por outro lado, usariam do argumento de faltou competência para dar consistência constitucional ao programa.

    Tentariam convencer o eleitorado de que o Governo do PT “Dilma” não possui programa de investimentos e planejamento. Que todas as medidas só foram adotadas é em função de Matérias denunciadas em Jornais e TV. Como os jornais ditassem o ritmo e as áreas de investimento do governo federal, ou por manifestações populares.

    A certa altura não sabia se esganava o cidadão ou se continuava dissimulando, assim continuando a ouvir as calhordices.

    E a propósito o nome de Eduardo Campos foi sitado pelo cidadão… Como o nome de muitos outros…Tudo que ouvi me fez dar nojo da política, tem muita gente de dentro do PT inclusive neste projeto.

    Como se diz: Está muito difícil separar o joio do trigo. Nem todo mundo do PT é o que deveria ser e nem todo mundo da oposição é tão pilantra quanto aparece ser. Como não sou militante de nenhum partido, aconselho aos militantes do PT e do PSB acompanharem bem de perto os nomes que encabeçam as chapas do partidos a nível Nacional, Estadual e  Municipal, se não o fizerem, correm o sério risco de daqui a pouco anos perderem o partido que apoiaram e militaram por anos. Se virão obrigados a apoiar PSTU e PSOL, ou começar luta toda do zero.

    Agora eu pergunto a vcs do PSB, quais destas ações que listei acima afasta o PMDB do jogo de poder no Congresso e Senado?

    Será que vcs não estão comprando gato por lebre?

    Qual o partido que pretendem enfraquecer: PSDB, PMDB, PSD, DEM, ou querem enfraquecer o PT que só possui 88 deputados de 513 deputados?

    Como dizer que o Eduardo é isento se após romper com o governo federal, rompeu com o PT regional e se aliou ao PSDB em Pernambuco e está próximo de se aliar ao PSDB São Paulo e o Mineiro. Não tenho conhecimento da lista de alianças no geral do país, mas o PSB está se aproximando e virando plataforma do PSDB em várias cidades.

    Eu quero saber onde está o novo ai? Se é no discurso da REDE que é o mesmo rezado dia a dia, anos a pós anos pelos seguidores do PSDB, DEM, PSD. Ou se é nas alianças do PSB com PSDB, DEM, PSD e afins…

    Conheci muitos militantes do PSB sei quais eram seus anseios. Estas coligações representam seus anseios ou é contra tudo que lutavam?

    A maioria dos militantes dos PT também querem morrer quando veem Sarney, Rennan, Collor, Maluf, Kassab e muitos outros coligados ao PT.

    A questão é o que sobrará das bancadas do PT e PSB com estas coligações?

    Mesmo que consigam manter bancadas, como garantir que as legendas não serão usurpadas por filiações oportunistas?

    Por onde andam todos os representantes da extinta ARENA, para que legendas migraram?

    Vejo muitos deles hoje levantando bandeiras progressistas de “esquerda”! Será verdade?

    Acompanho os artigos do Nassif a muito tempo, de longe, corretos ou não são sempre os mais sensatos! Gostaria muito que os espaços para comentários fossem palcos para debates de ideias, porém, logo quando surgiram fiquei indignado. Foi ocupado por retóricas políticas e agressão mutuas sem permitir espaço para discussões e apresentação de propostas e opiniões divergentes. Achei que poderíamos discutir as necessidades do Brasil, mas, discutimos quem esta mais bonito na fita.

    Sou um cara novinho tenho só 51 aninhos, vi a internet nascer no Brasil, acompanhei o nascimento de diversos fóruns de discussão, como também vi eles serem destruídos pela poluição de retóricas e agressões baratas. Nenhum assunto é tratado com seriedade. Hoje este é o melhor espaço de discussão, porém, ainda é muito carregado de retórica. Não acredito que este era o ideal do Nassif e associados quando apostaram neste projeto.

    Apesar de postar raramente leio a maioria dos artigos e seus comentários, quando digo seus comentários, digo leio todos os comentários sem exceção. Alguns são brilhantes, outros pura retórica política. A grande midia irrita?! Lógico que irrita! Mas as pautas podem ser muito maiores se as pessoas não perderem de vista o horizonte. Militantes de PT e PSB que até pouco tempo se união em uma mesma bandeira e retórica política, hoje tendem a se agredir. Pouco construiram e agora tendem a se destruírem mutuamente. Pessoal! Discutam propostas e não se a bunda de fulano é mais cheirosa que do outro. No Brasil é discutido tudo menos plataforma de governo e suas propostas e é assim que passa ano e sai ano e nada avança com esperado. Em vez de trabalhar para desconstruir bandeiras, trabalhem para construir bandeiras, assim ganharemos um pais melhor e discussões muito mais sóbrias das diferenças de pensamento e prioridades.

    Vou votar na Dilma por convicção, não por ela ser do PT e nem pelos partidos que compõem sua base aliada. Mas pelo Brasil que vem se desenhando, apesar de não gostar de muita coisa que anda acontecendo no pais.

    Abraços ao pessoal do fórum e vamos elevar estas discussões para não cairmos no ridículo mais tarde.

     

     

     

     

     

     

  20. alexis

    14 de janeiro de 2014 9:28 am

    Barganhando o voto

    Ingenuidade nada!

    A leitura ente linhas diz: “Eu sou formador de opinião e anuncio aos petistas que Eu – e muitos colegas que seguem o meu comando – iremos votar em outra candidatura, pois o PT não faz o suficiente pela minha única e exclusiva causa cívica neste mundo. Se o PT for mais a favor dessa causa, quem sabe eu mude o voto”.

     

  21. Nelsonz

    14 de janeiro de 2014 9:58 am

    Todo esse BLABLARINA do

    Todo esse BLABLARINA do Gunter se esquece de uma coisinha muito importante. LULA. Ele está descansando a voz e a garganta maltradada pelo cancer e ao contrário de 2010 não tem os impedimentos do cargo para fazer campanha. Campos terá em algum momento de responder como pode querer ser diferente sendo aliado de Aécio/Serra/FHC, DEM e companhia. O que ele fez pelo Brasil que não foi de roldão do investimento que os governos LULA/DILMA lhe deram de bandeja? E como vai explicar que é um traíra que pelo poder e só por ele abandona aliados antigos e começa novos e estranhos relacionamentos que só se justificam por vaidade pessoal. Me explica essa GUNTER.

  22. Nelsonz

    14 de janeiro de 2014 9:59 am

    Eduardo e Marina

    Todo esse BLABLARINA do Gunter se esquece de uma coisinha muito importante. LULA. Ele está descansando a voz e a garganta maltradada pelo cancer e ao contrário de 2010 não tem os impedimentos do cargo para fazer campanha. Campos terá em algum momento de responder como pode querer ser diferente sendo aliado de Aécio/Serra/FHC, DEM e companhia. O que ele fez pelo Brasil que não foi de roldão do investimento que os governos LULA/DILMA lhe deram de bandeja? E como vai explicar que é um traíra que pelo poder e só por ele abandona aliados antigos e começa novos e estranhos relacionamentos que só se justificam por vaidade pessoal. Me explica essa GUNTER.

  23. Eurico

    14 de janeiro de 2014 11:11 am

    Eduardo não passa de um instrumento nas mãos….

    A grande verdade é que Eduardo Campos é, assim como Marina, um vaidoso e personalista.  Hoje ele se constitui como o mais importante instrumento para a direita retomar o controle do Estado Brasileiro.  Não tenho nenhuma dúvida de que este plano conta com apoio norte-americano, para forçar uma guinada no movimento de independência nacional trilhado na última década.  O Brasil é a chave pare deter a independência da América do Sul.  O  Golpe no Paraguai foi só um teste incial.  Esperem e verfão rios de dinheiro sendo despejados nas candidaturas de Dudu e Aécio, na medida que eles visam se unir no segundo turno. 

    Parece que a ideia do retorno de Lula à presidência, não é de toda ruim!

  24. Julio Palmieri

    14 de janeiro de 2014 11:14 am

    acho que essa analise do

    acho que essa analise do Gunter e perfeita!  o sentimento da população e que esse governo é uma nova versão do Ademar de Barros, rouba, mas faz um pouquinho!  se aparecer alguém em quem o eleitor possa confiar que fará sem roubar, ou roubará menos, se associara com gente de estirpe melhor que Sarney e Renan, o governo Dilma acaba!

     

    ai entra a continua exposição dos condenados pelo mensalão, para impedir de lembrar que esse governo se associa ao desrespeito a lei! 

    1. Marcos Antônio

      14 de janeiro de 2014 11:18 pm

      Há uma infantil inversão em

      Há uma infantil inversão em sua “análise”, que de ingênua não tem nada…

  25. Gunter Zibell - SP

    14 de janeiro de 2014 2:35 pm

    Faltou luz ontem em casa

    e só fiquei sabendo deste post hoje.

    Mas um comentário geral pode ser feito.

    Não confundamos os desejos e interpretações pessoais com aquilo que tem maiores ou menores chances de acontecer.

    Uma coisa é o que cada um de nós individualmente acha de A ou B.

    Outra coisa é o que os vários agentes envolvidos podem fazer e o que ficará no pensamento das pessoas.

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