6 de junho de 2026

Sistema Cantareira estará esgotado na Copa, diz comitê anticrise

Sugerido por Pedro Penido dos Anjos

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Do Estadão

 
Na estimativa anterior, previsão era que, se a estiagem fosse tão grave quanto à histórica de 1953, água acabaria em agosto. Novo cenário pressiona Sabesp a instalar equipamentos para captação do ‘volume morto’ – reserva estratégica nunca utilizada
 
Fábio Leite

Diante de uma estiagem bem mais severa do que a pior já registrada na história, o comitê anticrise que monitora a situação do Sistema Cantareira antecipou para julho – mês da Copa do Mundo – a previsão de esgotamento do chamado “volume útil” do manancial que abastece 47% da Grande São Paulo e a região de Campinas. Na estimativa anterior, feita há quase um mês, o grupo afirmava que se a seca fosse tão grave quanto à de 1953 a água acabaria em agosto.

O novo cenário pressiona ainda mais a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) a instalar os equipamentos necessários para captar a água do chamado “volume morto” do Sistema Cantareira. Trata-se de cerca de 400 bilhões de litros que ficam no fundo dos reservatórios, uma reserva estratégica nunca utilizada. A Sabesp informou que iniciará a operação em maio, dois meses antes do possível fim do “volume útil”, que é a quantidade represada acima do nível das bombas.

Em fevereiro, após determinação da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), que lideram o comitê anticrise, a Sabesp contratou duas empresas por R$ 52 milhões para realizarem obras emergenciais para uso do “volume morto” nas represas Jaguari e Jacareí, em Joanópolis, e Atibainha, em Nazaré Paulista. As duas primeiras são consideradas o coração do Cantareira e armazenam 82% da água do manancial, mas estão com apenas 9,4% da capacidade.

A companhia também comprou 17 bombas flutuantes por R$ 5,3 milhões de uma empresa de Santa Catarina, além de tubos, cabos, painéis e geradores. O custo total da operação é estimado em R$ 80 milhões. Desde o início de março, o uso do “volume morto”, que antes era tratado como eventual, tornou-se inevitável para que o racionamento não seja generalizado.

Parâmetros. As perspectivas ficaram mais pessimistas porque a seca atual do Cantareira é mais crítica que a de 1953, até então a pior da história e que servia de parâmetro para os técnicos dos governos estadual e federal. Desde janeiro deste ano, a quantidade de água que entrou nos reservatórios do Sistema Cantareira corresponde a 15% da média histórica, mesmo com a volta das chuvas neste mês. Em 1953, o pior índice foi o de janeiro: 39%.

Naquele ano, a vazão média de água que abastecia as represas oscilou entre 24,5 mil litros e 26,7 mil litros por segundo no primeiro trimestre. Em fevereiro deste ano, a vazão foi de apenas 8,5 mil litros e neste mês estava em 15,2 mil litros até sexta-feira, ou seja, 43% menor do que a pior média registrada.

Por outro lado, no mesmo período, a quantidade de água liberada para abastecer cerca de 14,3 milhões de pessoas das Regiões Metropolitanas de São Paulo e Campinas foi de 29,7 mil litros por segundo, ou seja, déficit de 14,5 mil litros por segundo. O pior é que até agora nenhuma das medidas anunciadas pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) foi suficiente para brecar a queda do “volume útil” do Sistema Cantareira, que ontem caiu mais um pouco, chegando a 15,2% da capacidade.

Outras estratégias. Quando a Sabesp lançou o plano que dá desconto de até 30% na conta para quem reduzir ao menos 20% do consumo, o sistema estava com 21,9% da capacidade. A partir de então, o governo de São Paulo passou a adotar uma série de estratégias.

Primeiro, começou a remanejar água das Bacias do Alto Tietê e Guarapiranga para 3 milhões de pessoas antes abastecidas pelo Cantareira. Em seguida, contratou uma empresa por R$ 4,5 milhões para produzir chuva artificial sobre os reservatórios que estão secos, liberou a exigência de gasto mínimo dos grandes consumidores e reduziu em 10% a vazão máxima para a Grande São Paulo. Na última semana, o governo de São Paulo cortou em 15% a quantidade de água vendida para São Caetano e Guarulhos – essa última cidade anunciou que promoveria racionamento por falta de água para distribuir à população.

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Kassab: faltou planejamento contra racionamento de água

Por Gustavo Porto

O ex-prefeito de São Paulo e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, até evitou críticas abertas ao governo do Estado e à Sabesp pela crise de abastecimento de água na região metropolitana da capital paulista, mas considerou que houve falta de planejamento para evitar um possível racionamento. “Precisamos ser justos e não podemos, com um assunto dessa gravidade, ficar no palanque eleitoral. O principal motivo é a falta de chuvas. Mas o tempo está mostrando que houve falha de planejamento”, disse Kassab neste sábado.

O ex-prefeito de São Paulo lembrou que estudos mostram que houve falta de investimento para ampliar o abastecimento de água na região. “Seriam necessários dois sistemas igual ao da Cantareira para evitar a falta de água”, afirmou. “Temos uma crise grave e qualquer manifestação mais crítica não deve ser feita. Mas houve falta de planejamento e vamos aguardar para apurar e a questão da responsabilidade”, completou.

Kassab disse que segue como pré-candidato ao governo paulista e que só aguarda a convenção para ter seu nome ratificado como o nome do PSD à sucessão de Geraldo Alckmin (PSDB). Afirmou ainda que “inquestionavelmente o grande problema do Estado hoje é a insegurança”, problema, segundo ele, que “precisa ser enfrentado de frente com recursos adicionais como fizemos com a saúde quando fui prefeito”.

 

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14 Comentários
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  1. C. Acácio

    17 de março de 2014 2:15 pm

    A administração tucana

    A administração tucana derruba uma Copa com mais eficácia que as manifestações violentas de coxinhas e black blocs …

    1. Lionel Rupaud

      17 de março de 2014 2:46 pm

      Uai, é o tal “xoq de jestam”!

      Quando estão inspirados eles chamam isso de “dever de casa”. Os gurus do “management” nas empresas privadas adoram isso.

  2. Carlos FM

    17 de março de 2014 2:54 pm

    Pobre Camões!!

    “Enfrentar de frente” é o máximo!!

  3. Nilo

    17 de março de 2014 3:06 pm

    O Estadão

    O Estadão fez  areportagem para deixar bem claro que a culpa é da maior seca….. o mesmo que fizeram no apagão do FHC onde faziam campanhas educativas e tratavam os consumidores como responsáveis por desperdicio. O apagão do PT que ainda nem aconteceu desde já deixam claro que é por incompetencia… 

  4. Vantuil Barbosa Filho

    17 de março de 2014 3:16 pm

    ta demorando muito…

    … como a maioria do eleitorado  paulista é politicamente incorreto, pra não dizer outras coisas; na hora certa, o PIG em tebelinha com o PSDB, irão colocar e dizer que a falta de água nas torneiras, é culpa da Copa, do Itaquerão, o estádio do Lula, da Dilma, e o povo vai acreditar.

  5. Lucas Gomes

    17 de março de 2014 3:22 pm

    alguém deve estar pagando

    alguém deve estar pagando R$150 para que Alckmin sabote a Copa em São Paulo.

  6. FARTA ÁGUA E FARTA LUZ - GOVERNO TUKNLHS

    17 de março de 2014 3:25 pm

    A incompetência do governador

    A incompetência do governador Alkmin, de São Paulo, vai levar não ao racionamento de água, mas simplesmente a falta da mesma. E os tucametrôlhas ainda se dizem grandes gestores. São “GESTORES DO CAOS” e dos “APAGÕES”, tanto de água quanto de luz. Ainda temos que aguentar o metrôlha fazendo acordos espúrios com o PCC e deixando São Paulo nas mãos da bandidagem. Aguentamos ainda os desmandos dos metrôlhas quanto ao trasnporte coletivo em São pAULO.

       

  7. André Paulistano

    17 de março de 2014 3:38 pm

    E depois?

    Então tá:

    Agora vamos beber água do volume morto. (barrenta? parada?)

    E depois?

    1. Carlos Dias

      17 de março de 2014 6:19 pm

      Não há depois…

      Será o fim de uma civilização…

  8. Casoares

    17 de março de 2014 3:42 pm

    Viva!

    Viva aos vinte e poucos anos de governo PSDB no Estado de São Paulo!!! Privatizam tudo, sucateiam o ensino público e ainda, de brinde, destroem o Sistema Cantareira!!

  9. implacavel

    17 de março de 2014 6:06 pm

    PIG já criou a sua extratégia

    As últimas notícias publicadas pelo PIG, indicam que a questão do Sistema Cantareira será amarrada há um suposto apagão do Sistema de águas e esgoto do País inteiro.

    Reportagem mostrada hoje no RJTV mostrando a ineficiência da CEDAE, caminha nessa direção.

    Já que o Governo Tucano em São Paulo falhou, vamos amarrar todo mundo nesse balaio de gatos…

  10. Carlos Dias

    17 de março de 2014 6:09 pm

    Não tem problema

    Alckmin e seu eleitorado (aqui tá cheio deles) abrirão, quando o brasil vencer a copa e Sampão não tiver agua nem prá lavar o fi ó fó, uma garrafa de champanhe francesa… e outra de perfume francês com fixador de longo prazo… 

     

    Parabéns, Sabesp e povo tolo de Piratininga, vocẽs conseguirão ficar sem água… Vai ter Copa, mas não vai ter cozinha e banheiro…..

    Um favor, procurem não poluir muito o Rio Paraíba do sul (que passa em regiões bastante industrializadas de SP) porque nós aqui no Rio de Janeiro (por conta de políticos como os que vocês alegem até hoje) precisamos desesperadamente das aguás desse rio (Paraíba que nasce nas Serras paulistas, mas – talvez por vergonha – corre em direção ao estado do Rio) para não terminarmos como vocês na época da Copa.

  11. Carlos Dias

    17 de março de 2014 6:12 pm

    Quando não tiver água em Sampa

    O Alckmin vai dizer que adm pública é que foi culpada. Vai liberar uma verba gigante pras empreiteiras “recuperarem ” a Cantareira e depois vai dizer que a privatização é a solução…. e dai… os paulistas vão ver que IPTU do Haddad vai ser fichinha perto do boleto da “Nova Sabesp” (agora controlada por empresas privadas).

  12. Antonio C.

    18 de março de 2014 12:09 am

    Uma curiosidade…

    O prazo de outorga do sistema Cantareira termina este ano. Quanta coincidência.

    Leiam o Relatório da Situação dos Recursos Hídricos do Sistema Cantareira, do ano de 2013, em http://www.comitespcj.org.br/images/Download/RS/PCJ_RS-2013_RelatorioFinal_CRH-SP.pdf.

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