6 de junho de 2026

Um exemplo do modelo Alckmin de gestão

 
Tempos atrás, o empresário Beto Sucupira – um dos três sócios da 3G, que controla a Ambev – procurou o governo de São Paulo com uma proposta de monitoramento da poluição dos rios paulistas e outro projeto na área de segurança pública.
 
Entrou com uma parte dos investimentos, o estado com outra. Foi contratada a consultoria do INDG, de Vicente Falconi, e o estado disponibilizou sete técnicos da Fundap, a fundação incumbida de pensar a gestão no estado. A equipe ficou sob o guarda-chuva da Casa Civil.
 
Aí o governador Geraldo Alckmin nomeia o ex-Secretário de Segurança Saulo de Castro para Secretário de Governo.
 
Na burocracia pública, espaço é poder. Ou seja, o poder de qualquer secretaria é proporcional ao espaço que ocupa. Imediatamente Saulo requisitou a sala onde a comissão se instalara. E se apropriou dela da forma mais simples possível: acabou com o programa para ficar com a sala.
 
Foram três anos de trabalho, de dinheiro do estado e da fundação de Sicupira jogado no ralo. Quando o projeto foi encerrado, a consultoria estava transferindo para o estado todos os modelos de monitoramento dos rios. A agência de publicidade África já tinha uma campanha engatilhada sobre o assunto. Perdeu-se tudo.

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No ano passado, o governador Alckmin tentou completar sua obra, ordenando a extinção da Fundap.
 
Ocorre que, para fechar uma fundação de direito público, são necessários dois quesitos:
 
1. Não existe mais o motivo pelo qual ela foi criada. Não é o caso, já que o aprimoramento da gestão pública é um processo permanente.
 
2. O patrocinador não tem mais condições de bancá-la. Também não é o caso, porque o patrocinador é o estado de São Paulo.
 
Parte da receita da Fundap era obtida com projetos para outros entes públicos. Com o anúnciou de sua extinção, os contratos foram minguando, substituídos por outros com consultorias privadas.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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7 Comentários
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  1. Lionel Rupaud

    17 de fevereiro de 2016 4:18 pm

    Quem mora em SP desde a chegada dos tucanos

    e não é totalmente midiota já entendeu o significado de “modelo tucano de gestão”.

    E não faz diferença nenhuma o nome do “governador”.

    1. Rodnei

      17 de fevereiro de 2016 6:43 pm

      Desenha

      Desenha o que vc quis dizer, por favor.

      Ninguém é obrigado a advinhar as eventuais suspeitas que o outro deixa no ar.

      Na boa, este tipo de atitude só traz confusão mental e de comunicação.

      Resultado: cada um imagina o que quer, e concorda ou discorda de acordo com seu próprio humor.

      Saudações,

  2. jasantos

    17 de fevereiro de 2016 4:24 pm

    o que me incomoda
    O que me incomoda mais é que grandes empresarios se calam quando acontece esse tipo de coisa.
    E não estou me referendo só ao assunto Fundap.
    Tivemos dezenas de situações!

    Eles deveriam ser os primeiros a botar a boca no trambone! e por que não o fazem?

    Um sr Sucuprira vai ser ouvido, já um blog independete é muito mais dificil!

    1. Lionel Rupaud

      17 de fevereiro de 2016 5:35 pm

      Mas por que o sistem tucano e a midia que os controla

      (Globo e aspones) dá cobertura total aos esquemas de evasão fiscal tipo assim Mossak Fonseca, que permitem á plutocracia brasileira não pagar imposto de renda.

      Só isto.

  3. Frederico69

    17 de fevereiro de 2016 9:08 pm

    esse é o substituto do moita??

    ou estou enganado

  4. jura

    18 de fevereiro de 2016 3:23 am

    Pau pra toda obra

    1. Se a poluição dos rios for medida aumentará a cobrança por limpeza. A Sabesp não trata os esgotos e já nem consegie mais fornecer água suficiente e eficientemente. A limpeza do Tietê foi prometida há 24 anos com um empréstimo do Japão. O dinheiro foi convertido em mais lama.

      2. A Fundap topa tudo por dinheiro, mas a extrema diversificação de suas atividades, muito além de sua capacidade técnica e de suas atribuições estatutárias é uma das principais causas de sua extinção. E o PSDB é totalmente responsável por isso. Resolveram fechar porque não chegaram a um acordo que pudesse resolver todos os problemas que eles mesmos causaram…

    Nenhuma organização é capaz de cobrar pênalti e cabecear pro gol. Para cumprir seu papel de inovação em administração pública a Fundap deveria se apoiar no tripé pesquisa, formação e consultoria. A pesquisa foi a primeira a ser descartada e sem ela o tripé desabou.

    Medição de poluição não é a praia da Fundap. Mas pesquisar como melhorar a gestão ambiental e apoiar a Cetesb nisso, sim.

    Aliás, é estranho que esse projeto não tenha sido alocado na Cetesb… Eles tem salas de sobra lá! Cada vez mais!

    Nassif, você sabia que o índice de ociosidade dos Especialistas em Políticas Públicas do Estado, cargo criado há uns cinco ou seis anos, é de 83%? E que eles foram treinados pela Fundap no início? Assim não há Fundap que resolva!

  5. aleminas

    3 de março de 2016 4:24 am

    O seo SUCUPIRA, então …

    fica quietinho .. 3 anos de trampo no lixo.. e ele nem tchum! esquisito viu Nassif!

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